Opinião | Gish Gallop
As recentes intervenções de Pedro Passos Coelho mostram como o debate político contemporâneo se tornou fértil para uma técnica antiga: o Gish Gallop. Não necessariamente porque o antigo líder do PSD a utilize de forma clássica, mas porque o ecossistema mediático e político em torno das suas declarações passou a funcionar exatamente nesse modelo — uma avalanche contínua de frases fortes, polémicas, temas identitários, imigração, populismo, insegurança, elites, autenticidade política e decadência europeia.
Quando Passos Coelho afirma que há políticos “postiços” que são “prostitutos sem caráter”, ou quando alerta para o risco de os portugueses se sentirem “estrangeiros na própria terra”, não está apenas a fazer declarações políticas. Está a lançar múltiplas camadas emocionais e simbólicas para o espaço público: imigração, identidade nacional,........
