Humanismo, moderação e felicidade
Embora a história da humanidade seja caracterizada por não linearidades, alternado momentos de avanços civilizacionais, com outros de recuos, o que o século XXI nos está a trazer, com o avanço do extremismo, da intolerância, do anti-humanismo e do obscurantismo, nomeadamente no mundo ocidental, é alarmante.
É verdade que o humanismo é um ideal de muito difícil implementação e que, embora muitas nações tenham assinado a Carta Universal dos Direitos Humanos, a sua interiorização nas populações não é transversal.
Em todo o caso, os sinais que o início do século XXI nos está a trazer têm muitas ressonâncias assustadoras com o início do séc. XX.
Por isso, é urgente preservar os valores conducentes à paz, ao equilíbrio, à ponderação e ao diálogo, pois só assim vamos conseguir encontrar caminhos que sustentem a felicidade das pessoas.
Nos dias de hoje, marcados pela aceleração dos processos de mudança, da tecnologia e das interdependências em rede (analógicas e virtuais) e até do surgimento em força da inteligência artificial, a memória das atrocidades da primeira metade do séc. XX parece ter sido apagada.
O espírito que esteve na origem da ONU ou da União Europeia está claramente ameaçado.
E se conseguimos detetar fragilidades nessas organizações (o que é natural em entidades que tentam conciliar tantos interesses diferentes) a alternativa, o regresso do securitarismo, do isolacionismo ou do nacionalismo dogmático, é bem pior.
Os clássicos já identificavam a moderação como uma pedra angular para se atingir o bem. E o mundo já mostrou que é possível uma governação ser guiada pela moderação, pela capacidade de síntese entre ideologias, entre nações e entre religiões. Obriga é a um esforço constante de diálogo, a instituições capazes de efetuar os checks and balances e a uma distribuição do rendimento e da riqueza que aproxime os mais desfavorecidos dos mais beneficiados pelas sortes do mundo.
Em Portugal, devemos pugnar para que a virtude da moderação não seja substituída pela violência do dogmatismo e do extremismo, que tanto caminho tem feito pelo mundo fora. Todos devemos contribuir para isso, construindo pontes, treinando a capacidade de escuta, de diálogo e de empatia. E os líderes políticos, governamentais ou institucionais devem ser os primeiros a dar o exemplo. Só assim encontraremos caminho para uma sociedade mais feliz.
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