Primeiro, deixamos de olhar
Nenhuma sociedade deixa de mudar de um dia para o outro. Começa, primeiro, por deixar de reparar. É um processo silencioso. Quase impercetível. Não acontece quando desaparecem as notícias, nem quando deixam de existir problemas. Acontece quando nos habituamos a viver ao lado deles. Quando a exceção se transforma em rotina, a injustiça deixa de nos surpreender e aquilo que ontem nos inquietava hoje já não merece mais do que um breve olhar antes de continuarmos a deslizar o dedo pelo ecrã.
Nunca soubemos tanto sobre o mundo. Sabemos, em tempo real, onde há guerra, fome, catástrofes ou perseguições. Assistimos ao sofrimento entre duas notificações, entre um vídeo e outro, entre o início e o fim de um dia absolutamente normal.
O maior risco do nosso tempo não é a falta de informação. É deixarmos de olhar.
Durante anos ensinaram-nos a escolher uma profissão, um percurso e um objetivo. Prepararam-nos para responder à pergunta sobre o que queremos ser. Fizeram-no bem. Mas esqueceram-se de outra pergunta: Que marca queremos deixar nas pessoas?
Não se responde com o nome de uma........
