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Da China a Trump, quem define hoje a missão do Ensino Superior?

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25.08.2026

As notícias recentes sobre o encerramento de milhares de cursos universitários na China foram geralmente apresentadas como mais uma demonstração da capacidade do Estado chinês de dirigir centralmente o sistema de Ensino Superior. A redução de programas em áreas das Humanidades, das Ciências Sociais e de outros domínios considerados menos estratégicos foi acompanhada por uma expansão significativa da oferta em Inteligência Artificial, ciência de dados, computação avançada e tecnologias emergentes. Mas esta reconfiguração não é motivada apenas pela competição tecnológica global. Ela constitui igualmente uma resposta à crescente dificuldade de inserção profissional dos diplomados e à pressão para alinhar mais estreitamente os percursos formativos com as necessidades imediatas da economia.

À primeira vista, trata-se de uma história familiar. Um Estado autoritário reorganiza a universidade em função dos seus objetivos de desenvolvimento económico e de competição tecnológica global.

Mas essa interpretação talvez nos impeça de perceber o que realmente está em causa. O que acontece na China não constitui uma exceção à evolução contemporânea da universidade. Constitui, antes, uma manifestação particularmente explícita de tendências que atravessam, de formas distintas, praticamente todos os sistemas de Ensino Superior.

A questão central não é, por isso, por que razão a China está a mudar as suas universidades. A questão é saber por que razão a universidade deixou de beneficiar do amplo consenso político, social e cultural que sustentou a sua expansão ao longo de grande parte do século XX.

Durante décadas, apesar das diferenças ideológicas entre países e regimes políticos, existiu um entendimento relativamente estável acerca da missão da universidade. Ela era simultaneamente um lugar de produção de conhecimento, um instrumento de desenvolvimento económico, uma instituição de formação das elites e um espaço de cultivo da cidadania democrática. As tensões entre estas diferentes funções nunca desapareceram, mas eram reguladas por um consenso de fundo sobre a legitimidade da instituição universitária.

Esse consenso está hoje a fragmentar-se.

A análise dominante tende a explicar esta transformação através da oposição entre mercado e Estado. De um lado, a mercantilização da educação superior. Do outro, a intervenção crescente dos poderes públicos. Mas esta dicotomia tornou-se insuficiente para........

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