A quem interessa censurar a Revolução Haitiana?
A quem interessa censurar a Revolução Haitiana?
Na última semana, foi noticiado que uma comissão ligada à Câmara dos Deputados censurou partes do livro "Independências do Brasil", que reunia produções de historiadoras e historiadores vinculados à Associação Nacional de História (Anpuh), à revista Almanack e à Sociedade de Estudos do Oitocentos.
Vários trechos da obra foram destacados pela comissão no sentido de orientar a supressão de expressões e conceitos utilizados pelas autoras e pelos autores do livro. Dentre os apontamentos, estava o título: "França e Brasil na época da Independência: quando o Haiti foi aqui", decidiu-se que se suprimisse o trecho "quando o Haiti foi aqui".
Esse último domingo (23), foi o dia de rememorar o Tráfico de Pessoas Africanas Escravizadas e sua Abolição, bem como a deflagração da Revolução Haitiana (1791). A soma desses acontecimentos leva-nos a refletir como palavras e eventos históricos podem suscitar desconfortos e disputas sobre as interpretações do passado.
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No final do século 18, na Ilha de São Domingos, vivendo sob as violências da escravidão, homens e mulheres sabiam bem que qualquer tentativa de sublevação deveria ser bem executada, já que as tentativas anteriores haviam terminado de maneira drástica. Houve desbaratamento, repressão e prisão em levantes ensaiados semanas antes em algumas parte da Ilha.
As notícias vindas de Paris sobre "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", lema da Revolução Francesa, acontecida em julho de 1789, haviam sido compreendidas pelos escravizados haitianos a partir da sua própria realidade. Eles souberam que do outro lado do mar, os brancos mataram seus senhores. Uma ideia que ganhou ainda mais força entre os cativos.
O historiador Cyril James nos conta que,........
