Tite não está bem
A demissão de Tite no Cruzeiro foi rápida. O treinador chegou em dezembro e foi embora em março. Venceu o estadual, mas nunca fez o time jogar bola a ponto da torcida e da diretoria confiarem no trabalho. Tite sai desmoralizado porque foi, mais uma vez, incapaz de mostrar seu talento e sua grife. Poderíamos usar os números para mostrar como o Cruzeiro de Tite não deslanchou, mas essa seria uma análise para o chat GPT. Quero falar do Tite que vi à beira do gramado. Um Tite apático, entristecido, desmotivado, deslocado. Tite não parece estar bem.
Fiz aqui outro dia uma análise sobre o papel do filho Matheus Bachi na vida profissional de Tite. É comum que treinadores levem seus filhos para auxiliá-los, mas não podemos naturalizar o nepotismo. Deveria ser ilegítimo, especialmente na seleção.
No caso de Tite, o problema é mais complexo.
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Matheus Bachi não tem credenciais - mas até aí os demais filhões tampouco tem - e gosta de aparecer, o que o difere dos demais.
Tite nunca fez nada para impedir que o filho tomasse o lugar de destaque na comissão e gosta quando Matheus dá entrevistas falando em nome do trabalho que está sendo feito. À beira do gramado, o comportamento do filho é ridículo. Tem ataques, gesticula, sai falando com o time, berrando com a arbitragem como se fosse o treinador. No Cruzeiro, descemos um degrau: Matheus achou de bom tom brigar com o pai publicamente. Um vexame que em nada colaborou para que Tite se sentisse firme, confiante, com moral.
O Cruzeiro não demitiu apenas Tite. Demitiu Matheus Bachi, que o acompanha em todos os trabalhos desde 2016 e que, não bastasse o comportamento juvenil, foi flagrado curtindo conteúdos red pill em redes sociais. Acho que vale a pergunta: por que existe espaço para tolerarmos esse tipo de contratação? Vivemos uma pandemia de crimes contra mulheres no Brasil. Vamos seguir fingindo que as coisas não estão interligadas? Vamos aceitar que a misoginia circule desde que seja nos bastidores, desde que as curtidas em posts de violência contra a mulher sejam apagadas e nunca mais falemos sobre isso? Enquanto o filho seguir sendo aceito como braço direito do pai sem questionamentos o erro será a contratação de Tite. Um Tite cuja linguagem corporal está comunicando apequenamento, tristeza, melancolia, confusão e deslocamento.
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