Contra Trump, estudantes americanos se preparam para fiscalizar eleições
Jornalista, atuou nas revistas Veja e Época, foi editora-executiva de O Estado de S. Paulo e é sócia-fundadora da Palavra Escrita Editorial
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Contra Trump, estudantes americanos se preparam para fiscalizar eleições
Universitários voltam à cena política e querem lançar o Verão da Democracia, relembrando movimento de 1964
Colosso da luta por direitos civis, Jesse Jackson, morto nesta semana, começou a carreira na política estudantil
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O pastor Jesse Jackson, morto nesta semana aos 84 anos, tem recebido homenagens por seu combate ao racismo e empenho para melhorar a vida dos negros americanos. Até Donald Trump lamentou a perda de um "homem bom". Duas vezes candidato à Presidência, o democrata entra para a história como um dos grandes promotores dos direitos civis nos Estados Unidos.
Jackson chamou a atenção de Martin Luther King Jr. no início dos anos 1960, quando era aluno de uma universidade da Carolina do Norte. Ali ele liderou marchas contra a segregação racial, algo que provara desde a infância. Luther King viu que o jovem tinha garra. E o jovem sentiu que mudara no momento em que conheceu o reverendo.
Passadas seis décadas desde aquele período de ativismo, de novo estudantes americanos se posicionam no front político, contra o autoritarismo. Sinal disso vem de dezenas de faculdades que se juntam para lançar o Verão da Democracia, ecoando o Verão da Liberdade, de 1964. Este foi um movimento de ativistas negros e brancos para ampliar o número de votantes no estado do Mississippi –segundo registros da época, não passavam de 6,7% da população.
À frente do novo Verão encontra-se a Universidade Wesleyan, em Connecticut. É uma instituição privada, politicamente à esquerda, fundada em 1831 por metodistas da região da Nova Inglaterra, só para alunos homens. Hoje a Wesleyan admite mulheres, tornou-se secular e suas faculdades ocupam posições altas no ranking do ensino superior americano.
Pois vem de lá essa movimentação estudantil, desafiando o cerco financeiro de Trump às universidades. O propósito da iniciativa, segundo o reitor Michael Roth, é "defender a democracia americana", começando pela lisura das eleições de meio de mandato, em novembro. Ou seja, cria-se uma teia de faculdades para atrair milhares de estudantes, recrutados como ajudantes de pesquisa, monitores nos locais de votação ou observadores. Enfim, trabalho cívico.
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Só que isso representa mais um grau na escala Trump de desassossego. O presidente continua a defender a "nacionalização" do pleito, a cobrar listas de votantes dos estados, a exigir o fim do voto por correio, além de querer implantar as restrições contidas no Save Act, uma nova legislação eleitoral aceita pelos deputados, talvez a ser barrada pelos senadores.
E qual é o plano geral de Trump? Desestimular quem vota, criar instabilidade e, se as urnas não lhe forem favoráveis, decretar a "fraude", numa nítida escalada autoritária. Como projeta a revista American Prospect, se os democratas levarem a melhor em novembro, Trump acionará uma espécie de variante do 6 de janeiro no Capitólio, inclusive tentando suspender a posse dos novos eleitos.
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Os prognósticos preocupam. Além do engajamento dos estudantes, cresce também a movimentação de organizações da sociedade civil. Caso da We Vote, uma plataforma aberta, não-partidária, cujo objetivo é valorizar o ato de votar. Ou a Run for Something, em apoio a jovens candidatos. Ou o Legal Defense Fund, que estimula a participação eleitoral de negros e cidadãos de grupos minoritários.
Essa resistência, que deve chegar a outros setores, desnorteia o presidente imperial, tal como os protestos de rua em Minneapolis. Trump já disse que perder não faz bem ao seu ego. Idem ao seu futuro político. Ou, talvez, seja o caminho mais rápido para o exílio em Mar-a-Lago.
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