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Brasil é um dos emergentes menos vulneráveis a choques de petróleo

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09.03.2026

Brasil é um dos emergentes menos vulneráveis a choques de petróleo

A cotação internacional do petróleo permanecia em torno de US$ 100 por barril, por volta das 15 horas (horário de Brasília), nesta segunda-feira (9), depois de escalar até US$ 120 no domingo (8).

Bolsas ao redor do mundo abriram em forte baixa, mas, ao longo do pregão, aliviaram as quedas. Exceto na Coreia, com quase 6%, e no Vietnã, com recuo de 6,5%, nos demais mercados as baixas estão em torno de 1%.

No Brasil, depois de abrir em baixa no pregão de hoje, o Ibovespa passou a oscilar. Depois de um pico de 180 mil pontos às 12h30, operava com queda de 0,3%, a 179 mil pontos, no meio da tarde.

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O DXY, índice que mede as relações do dólar com seis moedas de países desenvolvidos, com predominância do euro, que responde por 60% do índice, subiu quase 2% desde 28 de fevereiro. É um indicativo de que o dinheiro em circulação pelo mundo está voltando para a suposta segurança do mercado americano, mas em ritmo bastante moderado.

A cotação do dólar no mercado cambial brasileiro, por exemplo, subiu no mesmo ritmo global de 2% neste período. Mas, na sessão de hoje, a moeda americana volta a se desvalorizar ante o real, com cotação a R$ 5,21 e recuo de 0,65%.

Desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, até o momento, quando a guerra, que se alastrou para o restante do Oriente Médio, completa dez dias, a alta das cotações do petróleo atingiu 65%, se considerado o pico de ontem.

Essa explosão nos preços do petróleo já fazia parte das previsões dos especialistas. Para analistas, os efeitos da escalada das cotações não serão iguais para todos os países. Mas toda a economia global poderá sofrer com pressões inflacionárias e altas nas taxas de juros.

Dependendo da duração do conflito e das restrições na oferta de petróleo dele decorrentes, essas pressões inflacionárias, acompanhadas de elevações nos juros em razão da ampliação das incertezas no cenário econômico e dos esforços para conter a inflação, podem levar a economia global a um período de menor crescimento ou mesmo de recessão.

Brasil em posição favorável

Dentro deste quadro global, o Brasil encontra-se numa posição relativamente favorável. Hoje produtor e exportador importante de petróleo, os impactos da alta nas cotações do barril tendem a ser mistos, com reflexos positivos na balança comercial e nas contas públicas. Por outro lado, inflação e juros são riscos para o país, sem falar nos efeitos negativos domésticos de uma freada na atividade econômica global.

Um levantamento do banco suíço UBS, com atuação importante no mercado financeiro global, aponta o Brasil como uma das economias emergentes menos vulneráveis ao atual choque do petróleo. Num grupo de 19 países, o Brasil é listado como o sexto menos vulnerável.

Num ranking que vai de uma pontuação de 6,7 pontos até 11,9 pontos, o Brasil aparece com 10,7 pontos. Só é mais vulnerável a choques de petróleo do que República Tcheca, Malásia, Indonésia, China e Taiwan. Os mais vulneráveis da lista são Polônia, Turquia, Tailândia, Coreia e África do Sul.

Mesmo autossuficiente na produção de petróleo, com margem para fazer da mercadoria o item de maior receita nas exportações brasileiras, o país ainda é importador de derivados, com destaque para o óleo diesel. O diesel importado responde, em média, por entre 20% e 30% do consumo nacional.

De todo modo, o saldo na balança comercial de petróleo é alto, cerca de US$ 30 bilhões, respondendo por mais de 40% do total da diferença entre exportações e importações em 2025.

Com o aumento nas cotações internacionais de petróleo, as receitas de exportação do produto tendem a aumentar, contribuindo para melhorar os saldos positivos do setor externo brasileiro.

Ajuda nas contas públicas

No caso das contas públicas, a produção local de petróleo se reflete em impostos, royalties, participações especiais, vendas de óleo nos contratos de partilha no pré-sal e dividendos da Petrobras para o governo.

Com isso, as receitas públicas tendem a aumentar, favorecendo os saldos fiscais primários. Estima-se que as receitas públicas aumentem em R$ 10 bilhões a cada aumento de US$ 10 nos preços do barril de petróleo.

Embora o saldo da balança comercial do petróleo seja altamente positivo, pressões para aumentos de preços nas bombas podem acontecer. Ainda que a Petrobras tenha gordura para segurar repasses e não tenha aplicado reajustes nos seus preços às refinarias há algum tempo, postos de combustíveis já aproveitam para aumentar os preços nas bombas.

As pressões inflacionárias daí derivadas tendem a ser acentuadas pela esperada valorização do dólar ante o real, pelo menos enquanto perdurar o novo choque do petróleo. Dólar mais alto ajuda nas exportações, mas torna as importações — e os similares produzidos e vendidos no país — mais caros.

Os recursos internacionais que aportaram em mercados emergentes, inclusive no Brasil, depois das incertezas lançadas pelo tarifaço do presidente Donald Trump, devem refluir, pelo menos em parte, para o mercado americano em busca de uma suposta maior segurança. Com isso, as cotações do dólar tendem a se elevar, com efeitos inflacionários.

Um grupo de produtos entre os mais sensíveis, como os alimentos, pode sofrer aumentos de custos capazes de desaguar em pressões inflacionárias. Não só os insumos para produzi-los, em especial fertilizantes, que são importados em quantidades relevantes de países do Oriente Médio envolvidos no conflito, mas também os custos de transportes podem ser elevados.Consequência das possíveis pressões inflacionárias, o ciclo de cortes nas taxas básicas de juros, previsto para ter início na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) da semana que vem, pode ter sua intensidade e velocidades reduzìdas. Nos movimentos da curva de juros futuros, um corte de 50 pontos na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, ainda é predominante. Mas já há sinais de que o inicio do ciclo pode ser reduzido a um corte de 0,25 ponto na taxa Selic.

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Dorivaldo Dias Correa

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