O fiasco dos amuados
Há uma expressão caricata que circula no futebol: só no fim do jogo é que se fazem prognósticos com alguma segurança. Até parece porque enquanto a bola rola podemos misturar dados, emoções e esperança. Depois vem a noite fria dos resultados, e a conversa muda. Aparecem os ‘eu tinha dito’, os sábios tardios que transformam retrospetivamente dúvidas legítimas em certezas tardias.
Neste caso, eu também disse - ou, melhor, escrevi. A 7 de junho, no blog do meu amigo Hermínio Loureiro, e a seu pedido, registava uma expectativa que eu queria ver desmentida. Dizia então: esperava estar enganado, mas julgava que a Seleção nacional não teria sucesso no Mundial. E justificava o essencial: tínhamos um selecionador que, incompreensivelmente, parecia tentar ‘remendar’ a tática ao adversário, em vez de usar o jogo para impor uma ideia. Quando se tem um leque de criativos, com capacidade de decidir, o mais lógico seria a equipa ser ela a determinar o ritmo, o desenho, a ansiedade do oponente. Em vez disso, havia uma sensação persistente de falta de modelo, como se tudo fosse resposta e quase nada fosse........
