Como usar a IA para descentralizar
Portugal tem um vício antigo: gosta de centralizar. Depois, admira-se quando o Estado anda devagar. O problema não é haver coordenação, o que é até necessário. O problema é o reflexo de transformar tudo num funil: se é preciso decidir, tem de subir; se é preciso validar, tem de convergir; e se é preciso resolver, volta a descer… e com atraso. Não é gestão, é uma triagem interminável. E quando a chamada ‘sinergia concentrada’ serve de desculpa, perde-se tempo, proximidade e também responsabilidade, no sítio onde as coisas acontecem.
Há quem diga que assim se garante igualdade e neutralidade. Ainda que perceba a lógica, a verdade é que muitas vezes a igualdade que se promete limita-se ao processo: todos seguem a mesma via, todos esperam do mesmo modo, todos acabam a depender do centro. E nesse modelo, quem decide de facto raramente é quem está no terreno e conhece a realidade. Os resultados são conhecidos: burocracia repetida, respostas tardias e incapacidade de adaptação ao que cada........
