Não chames pela saudade, que a saudade não te quer
Segunda-feira, 11 de maio
“O Sporting venceu a Liga dos Campeões de futsal. O Porto é campeão europeu de hóquei em patins. O Barcelona é bicampeão espanhol de futebol. Portugal conquistou mais duas medalhas nos mundiais de canoagem. O Porto conquistou o título nacional de voleibol feminino. O Benfica perdeu a final da Liga dos Campeões feminina de hóquei em patins”. Foi assim o noticiário da tarde da RTP entre as 13h35 e as 13h55 de segunda-feira da semana passada, vinte minutos dedicados a sucessos e derrotas no desporto nacional e internacional, um típico do mês de maio, em que se definem as grandes competições desportivas. A questão que coloco é: como se edita um noticiário nestas condições, quem determina que vinte minutos serão dedicados a fenómenos desportivos destes, que clubes e modalidades devem ser puxadas para alinhamento principal e quais as que devem sair?
Antigamente era tudo mais simples, a programação estava devidamente segmentada e tínhamos programas de informação geral, quase sempre com política nacional, onde raramente entravam outros temas, como desporto, sociedade e cultura, que tinham direito a programas próprios noutros horários. Hoje é um bordel, a informação passou a infotainment, e o noticiário tanto pode abrir com a crise do Irão, a Ovibeja ou as eleições do Benfica. Os alinhamentos são uma espécie de tetris de peças que o editor tem de ajustar depois de receber sugestões do cacique que porventura estiver disposto a ser diretor de informação do canal público ou privado nesse momento. Pior, numa altura em que a informação deve ser inclusiva, ou seja, agradar a tudo e a todos, o critério editorial tal como o conhecíamos é o primeiro a ser sacrificado, perdão, talvez seja o segundo, porque o primeiro, como bem sabemos, já foi a verdade. E nessa tirania da inclusão, como se define o que fica do que sai, a vitória do futsal feminino paralímpico sub15 do Sporting no Cazaquistão deve ser notícia em detrimento do empate dos juniores de parapente do Braga em Rabat, onde uma equipa portuguesa não........
