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Quando em Aljubarrota se rezou por Espanha

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14.08.2026

Exactamente há 90 anos, enquanto os rebeldes espanhóis que se haviam precipitadamente sublevado em Melilla na tarde de 17 de Julho de 1936, tomavam às forças governamentais da Frente Popular a praça-forte de Badajoz, em Portugal, na Batalha, juntavam-se milhares de peregrinos em Acção de Graças, comemorando o inolvidável triunfo na batalha de Aljubarrota. A sublevação do Noroeste marroquino administrado por Espanha propagara-se à Península Ibérica espanhola, dando corpo a um pronunciamento manu militari contrarrevolucionário para pôr cobro à emergente situação revolucionária que, alimentada sobretudo pelo Partido Socialista (PSOE), dividia Espanha em duas. A insurreição armada de Outubro de 1934, protagonizada pelos socialistas que procuraram ganhar na violência o que haviam perdido nas urnas em Novembro de 1933, ao conseguir resistir às forças governamentais um par de semanas nas Astúrias, mantivera acesa a chama revolucionária. As eleições de Fevereiro-Março (a duas mãos) de 1936, com o voto dos anarquistas, até aí convictamente abstencionistas, trouxera a vitória às forças da esquerda que de imediato retomaram as acções violentas do jacobinismo que era preponderante nas suas vanguardas. O número total de votos apurados confirmou uma Espanha dividida ao meio. Mas o número de candidatos de esquerda (ou com ela alinhados, como era o caso do PNV) confirmados como eleitos aparecer desproporcionalmente mais elevado (mesmo tendo em conta o original regulamento eleitoral que privilegiava coligações) sempre levantou a suspeita de que as eleições haviam sido grosseiramente manipuladas, como, nos dias de hoje, os historiadores Manuel Álvarez Tardío e Roberto Villa García,1 viriam a provar.

Os principais bastiões dos rebeldes centraram-se a norte e, surpreendentemente, a sudoeste, no eixo Sevilha-Cádis. No Norte, principalmente em Navarra, sob o comando do principal organizador da revolta, o General de Brigada Emilio Mola y Vidal, reconhecido como El Director, milhares de milícias da Comunidade Tradicionalista (neo-carlistas) e falangistas (nacional-sindicalistas) haviam-se juntado às sedes das divisões territoriais de Burgos, Saragoça e A Corunha. No Sul, a atrevida e surpreendente acção do General Gonzalo Queipo de Llano assegurara para os rebeldes o domínio de um crítico e estratégico objectivo: a fixação de uma cabeça de ponte europeia para o desembarque das tropas profissionais do Protectorado do Norte de África, arregimentadas pelo General Franco. Queipo era um «herói da República» que se havia revoltado contra a Ditadura de Miguel Primo de Rivera e que, em 15 de Dezembro de 1930, liderara um golpe militar contra a Monarquia que, após falhar, o fizera refugiar-se em Portugal, acompanhado, entre outros, pelo irmão mais novo do General Franco, o Major de Aviação Ramón Franco, e pelo aristocrata filo-comunista Ignacio Hidalgo de Cisneros. Foi um dos 4 generais de divisão (no total de 21), que acompanhou o levantamento e que, praticamente sozinho, garantiu o apoio de grande parte da II Divisão Orgânica, sediada em Sevilha e do importante controlo de Cádis, e depois Huelva.

No entanto, o chamado Alzamiento Militar estava condenado ao fracasso, a partir do momento em que as forças da Guardia Civil em Madrid e em Barcelona se colocaram ao lado do Governo e dominaram os rebeldes. Mas a dinâmica do processo, extremada pela forte convicção dos rebeldes e pela sanguinária e atroz repressão governamental que cedo mostrou àqueles o que os esperava se se rendessem, fez subir de tom um clássico pronunciamento militar que a partir de 24 de Julho, data em que os rebeldes estabeleceram em Burgos a Junta de Defensa Nacional, degenerou numa guerra civil. Esta entregara a Mola o comando das forças do Norte e a Francisco Franco as de África e do Sul. O general Gonzalo Queipo de Llano, comandante da Segunda Divisão Orgânica (Territorial), gozava de uma certa autonomia nas operações da Andaluzia, liderando as forças locais do Sul. O objectivo estratégico permanecia a........

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