Quem tem medo da Ética da IA?
Do medo da inteligência artificial ao medo da sua Ética
Em 18 de outubro de 2024, no artigo Quem tem medo da Inteligência Artificial? perguntava, no jornal i online, se ainda tínhamos medo da inteligência artificial (IA), uma vez que o Regulamento da Inteligência Artificial estava publicado com aplicação direta em todos os Estados-Membros na União Europeia. Dois anos depois, a pergunta mudou. Com o entusiasmo em torno dos agentes de IA e uma narrativa da catástrofe, para a qual têm contribuído alertas com origem nas grandes empresas tecnológicas, oscilamos entre o deslumbramento e o apocalipse. Em nenhum destes extremos parece haver espaço para aquilo que permite pensar a IA com serenidade: a Ética. Nesse artigo, recordava o texto de Mia Couto Murar o medo e uma ideia particularmente importante: há, neste mundo, mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas. Talvez seja tempo de perguntar não apenas quem tem medo da IA, mas quem tem medo da Ética da IA. Dois episódios recentes sugerem que a pergunta não é retórica.
Uma participação presencial recusada
Uma empresa portuguesa organizou recentemente, em Lisboa, um evento sobre agentes de IA. Inscrevi-me para participar presencialmente, identificando-me como investigador em Ética da IA e membro de uma associação internacional sem fins lucrativos que promove uma utilização Ética, responsável e íntegra da IA. O pedido de participação presencial foi recusado. Inscrições feitas posteriormente foram aceites e os respetivos participantes puderam assistir ao evento.
Confrontada com a situação, a empresa manteve a recusa da participação presencial, sem explicar os motivos. Nem o argumento de que tal conduta poderia configurar discriminação, fosse por decisão humana, fosse por decisão........
