Trump vive num mundo próprio: demente e perigoso
Donald Trump discursou em Davos como quem fala para um espelho. Um espelho indulgente, onde só ele se vê reflectido e onde o mundo real, com regras, alianças e limites, simplesmente não existe. “Os americanos estão muito satisfeitos comigo”, disse, garantindo que herdou “um país morto” e que hoje os Estados Unidos são “o país mais na moda do mundo”. É nesta narrativa autocentrada que Trump governa, decide e ameaça. Um mundo só dele, onde o direito internacional é um detalhe incómodo e os aliados são úteis enquanto obedecem.
A Venezuela é talvez o exemplo mais claro dessa lógica. Trump falou com naturalidade da cooperação com Caracas, sublinhando que só numa semana os EUA extraíram 50 milhões de barris de petróleo, “dividindo o dinheiro” com o regime de Maduro. Nem uma palavra sobre democracia, direitos humanos ou eleições livres. Para Trump, desde que o petróleo flua e os interesses americanos estejam salvaguardados, pouco importa se a Venezuela continua a ser uma ditadura. A política externa reduzida a uma folha de Excel.
Depois há a Europa. Trump diz “preocupar-se” connosco, lembra as suas origens........
