“Construam-me, porra!”
"Construam-me, porra!" Durante anos, esta frase pintada num muro junto ao local onde viria a nascer a Barragem do Alqueva tornou-se um símbolo da impaciência de um país cansado de promessas, estudos, adiamentos e discussões intermináveis. O Alqueva acabou por ser construído e hoje poucos contestam a importância estratégica dessa obra para o Alentejo e para Portugal. Talvez esteja na altura de recuperarmos esse espírito para outro projecto estrutural que se arrasta há demasiado tempo: o novo Aeroporto Luís de Camões.
Pela primeira vez, esta semana, os portugueses puderam ver imagens concretas de como será a futura infra-estrutura. Já não falamos apenas de mapas, relatórios técnicos ou debates estéreis entre localizações. Começamos finalmente a visualizar um aeroporto moderno, preparado para responder às necessidades do país durante as próximas décadas. É um passo importante. Mas ver imagens não chega. Portugal precisa, acima de tudo, de ver máquinas no terreno.
Poucos assuntos conseguem reunir consensos tão alargados como este. O Aeroporto Humberto Delgado esgotou há muito a sua capacidade. Foi um razoável aeroporto para outra época, para outra dimensão da cidade e para outro volume de passageiros. Hoje, simplesmente, já não serve.
A Área Metropolitana de Lisboa tem cerca de três milhões de habitantes. Todos os anos recebe milhões de turistas, empresários, estudantes e investidores. O país depende do turismo, das exportações e da capacidade de atrair investimento estrangeiro. Nenhum destes objectivos é compatível com um aeroporto permanentemente congestionado, onde........
