ONU: Os homens que odeiam as mulheres
O discurso da ONU não é coincidente com os seus princípios. Apelando a uma paz e entendimento mundiais, segrega, contudo, grande parte dos cidadãos e governos do planeta. Retendo a minha análise nos Direitos Humanos, é fácil perceber que os artigos defendidos na Carta são contrários às leis e práticas de muitas constituições políticas e ações dos governos, respetivamente. No Artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos pode ler-se: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Bastará um olhar informado para se enfrentar a realidade adversa a tal estatuto; a própria escritura desse artigo rezava, até 12 de dezembro de 1947, Todos os homens, excluindo-se assim a parte feminina da equação.
A ONU é o resultado de uma visão universalizadora e impositiva da natureza dos juízos morais, passando por cima de qualquer anomalia local. O próprio conceito de paz enquadra-se numa visão ocidental marcadamente democrática. Os direitos referidos são, grosso modo, duplicados da Revolução Francesa, ela mesma, um incidente histórico europeu.
No entanto, o panorama modificou-se nas últimas décadas. A teoria cedeu perante a urgência da implementação de uma agenda política de inspiração woke: sob o terror da acusação de neocolonialismo, a organização optou deliberadamente por sacrificar a sua inspiração originária. A divulgação da democracia, admito, de resultado questionável pela ação dos neoconservadores americanos, foi ultrapassada por fatores identitários e nacionalistas. A essência dos nativos e a defesa intransigente da sua autonomia e independência enquanto nação, durante séculos usurpadas, são percebidas pelos atuais dirigentes como invioláveis e até imprescindíveis para a moralidade e justiça mundiais. Quando, pelas mesmas razões, o Ocidente........
