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Um Presidente atarantado no seu labirinto

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wednesday

Uma declaração de interesses: não votei em António José Seguro. Nem me senti tentada. Na segunda volta das presidenciais, escrevi no boletim de voto ‘Mr. Darcy’ com uma cruz à frente. 

Seguro parecia-me arriscado. Os anteriores presidentes chegaram a Belém respaldados por uma enorme carreira, que lhes dava autoridade e legitimidade política próprias. Já não tinham nada a provar. Ora Seguro foi um líder partidário contestado, o próprio reconhece que se ‘anulou’, era influenciável (leia-se a penosa descrição que faz dele Cavaco Silva nas memórias do tempo da troika e da forma como se vergou a Mário Soares). Seguro vinha para provar na Presidência. Mostrar as garras agora (porque não mostrou antes). Receita para correr mal. Piorou com a ajuda dos três milhões e meio de votos: em todas as mentes inseguras, a abundância sobe à cabeça. Nem percebeu que os votos eram contra o seu opositor.

Tem corrido mal. Seguro parece um Presidente em segundo mandato, perseguindo cada tema da atualidade das notícias a ver quanto consegue desgastar o governo. Primeiro foi a saúde, que aparecia na altura nos estudos de opinião como a maior das preocupações dos portugueses. Fez um grupo em São Bento não se sabe para quê. Depois foram as tempestades. Agora apoiou as acampadas. (Já lá chego.)

Pelo meio, com a sua recusa tão enfática durante a campanha e até a promessa de a vetar, foi um dos agentes que deu cabo da reforma laboral proposta pelo........

© Sapo