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O Grinch acampou no Rossio

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“Não queremos prejudicar os pequenos comerciantes locais, que fazemos questão de apoiar. O que recusamos é que os interesses comerciais se sobreponham ao direito à manifestação e à ocupação coletiva do espaço público.”

A declaração, impressa após mais uma "assembleia popular" dos manifestantes que tomaram o Rossio e a Praça Dom João I, revela bem a demagogia e os objetivos reais dos que se manifestam pelos "direitos próprios" sem quererem saber que os seus terminam onde atropelam os dos demais. Em manifesto desprezo por aqueles que têm o azar de ter negócio por perto (e por quem deles depende para ter salário), que poderão já ter perdido perto de meio milhão de euros em vendas nestes 15 dias, garantem que não arredarão pé nem sequer para o tradicional mercado de Natal que ali deveria abrir na próxima semana. 

Que se lixem os comerciantes, que se lixe o capital, que se lixe a economia e o normal funcionamento da democracia. Que se lixe até o Natal — o Grinch não diria melhor. "O Rossio é de quem o vive, não de quem o vende." É a conclusão firmada pelos campistas que advogam a velhinha fórmula "o Estado que pague a crise." E querem lá saber se quem paga "o Estado" somos todos nós ou recordar a única coisa que os delírios soviético-coletivistas foram capazes de fazer: multiplicar miséria e morte.

Sabemos agora a consequência do Conselho de Estado convocado por António José Seguro: o governo e os dois maiores partidos da oposição, representando 77,38% dos portugueses, vão juntar-se para recentrar o debate e traçar soluções conjuntas. Veremos que consequência terá isso nos manifestantes........

© Sapo