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Cada Orçamento, uma oportunidade para o Interior

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tuesday

Enquanto se analisa e discute a proposta de Orçamento do Estado para 2027, dei por mim a pensar numa questão que ultrapassa os números: o país que estamos a construir com as escolhas que fazemos. 

O rigor das contas públicas é indispensável. Mas as opções orçamentais têm consequências que ultrapassam o equilíbrio financeiro: influenciam as oportunidades que criamos, os investimentos que concretizamos e as condições de vida que proporcionamos às pessoas.

A discussão sobre o interior de Portugal tem-se concentrado, sobretudo, nas assimetrias territoriais e na necessidade de as corrigir. É uma preocupação legítima, mas precisamos de alargar esta reflexão. O interior tem recursos, competências e potencial económico que devem ser valorizados como parte integrante da estratégia de desenvolvimento do país.

O interior não é apenas uma geografia de dificuldades. É também uma geografia de possibilidades.

Encontramo-las na indústria, na agricultura, na floresta, no turismo, na energia, no conhecimento e na capacidade de criar formas de viver e trabalhar. São recursos económicos, humanos e ambientais que Portugal não pode continuar a dar-se ao luxo de subaproveitar.

É por isso que a coesão territorial, sendo um imperativo de justiça, deve ser entendida também como uma questão de inteligência económica.

Sempre que concentramos excessivamente as oportunidades, limitamos o potencial do país. Quando uma empresa não encontra condições para investir, quando um jovem sente que precisa de partir para realizar as suas ambições ou quando uma comunidade perde capacidade para transformar os seus recursos em riqueza, a perda não pertence apenas a essa região. Pertence ao país inteiro.

O governo de Luís Montenegro tem vindo a associar a coesão territorial à competitividade económica, ao investimento e à criação de oportunidades. No Orçamento do Estado para 2027, a valorização do território surge........

© Sapo