A barreira verde que não plantamos
Em agosto, as 197 Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação reuniram-se em Ulan Bator para a COP17. Até 40% das terras do planeta estão degradadas e as secas tornam-se mais frequentes e severas. Da Mongólia saiu uma carteira de 1,3 mil milhões de dólares para recuperar terras, uma iniciativa para as pastagens e maior atenção aos territórios. Mas não saiu um acordo global vinculativo à escala do problema.
Portugal esteve representado pelo ICNF e apresentou a estratégia Água que Une e o trabalho em curso no Plano Nacional de Restauro da Natureza. Faz sentido: sem água não há território. Mas não podemos discutir apenas a água que nos une. Também temos de discutir o solo que a recebe, a vegetação que a retém e a economia que mantém ambos vivos.
A desertificação começa antes das dunas: quando o solo perde matéria orgânica, deixa de absorver água e não resiste ao vento. Começa com uma clareira no montado e uma exploração que deixa de ser viável. Depois, partem também as pessoas.
Os americanos aprenderam isso no Dust Bowl. Nos anos 30, a seca encontrou as Grandes Planícies lavradas até perderem a estrutura. O vento levantou a terra em nuvens negras. Steinbeck contou o lado humano n’As Vinhas da Ira. Famílias empurradas para fora da terra pela seca, erosão, dívida e mecanização.
Roosevelt percebeu que não bastava acudir às pessoas. Era preciso segurar o solo. Em 1935, lançou o........
