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O primeiro cliente pode valer mais do que o primeiro investimento

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29.09.2026

A celebrar os 10 anos da Startup Portugal, dei por mim a pensar no que realmente mudou nesta década. Portugal construiu um ecossistema robusto mas ao mesmo tempo ainda não consegue suportar devidamente o fundador (vulgo founder) da startup, aquele que teve a ideia, que se lançou à aventura e que no dia-a-dia enfrenta a montanha-russa que é o lançamento de uma empresa.

O founder olha à volta e vê incubadoras, programas, instrumentos, eventos, missões internacionais; mas quando precisa do que realmente importa — alguém que compre — o ecossistema tem dificuldade em dar resposta.

Ou seja, criámos tudo à volta do founder, menos aquilo de que o founder mais precisa: um cliente.

Durante anos, o ecossistema impulsionou os founders a celebrar rondas. A primeira, a segunda, a extensão da seguinte, a ronda que “quase fechou”, a ronda que afinal não fechou, a ronda que vai fechar “assim que o lead investor decidir”. Criámos uma cultura onde levantar investimento se tornou sinónimo de sucesso, mesmo quando não há produto, não há clientes, não há dados e, muitas vezes, não há sequer um problema real para resolver.

Mas quem vive no terreno conhece a realidade: o primeiro cliente vale mais do que o primeiro investimento. É ele que valida, que desbloqueia, que dá confiança, que cria narrativa, que abre portas. É ele que transforma uma ideia num negócio. E é ele que (faz muita) falta ao founder português.

O mito da validação pelo capital

O founder português cresce dentro de um ecossistema que muitas vezes lhe diz, desde o primeiro pitch, que o objetivo é “levantar”. Levantar para contratar. Levantar para escalar. Levantar para internacionalizar. Levantar para provar que existe.

Mas levantar investimento, por si só, não prova nada. Prova apenas que........

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