Um governo aos papéis
A crise instalada na correção dos exames do 12.º ano, as dúvidas que hoje se instalaram sobre um processo que tinha a confiança de alunos, pais e professores, assim como o caso do ministro da Administração Interna sobre a contratação de um empreiteiro que ganhou concursos para a PJ e depois foi contratado por Luís Neves para obras na sua própria casa têm, cada um deles, as suas explicações, mas confirmam sobretudo uma suspeita que se percebia há alguns meses. O Governo está sem liderança política nem coordenação, e a primeira responsabilidade é do primeiro-ministro que, em ambos os casos, apareceu tarde e a más horas, displicente até nas primeiras declarações e depois, como já o tinha feito antes, a tentar apanhar os cacos.
A 48 horas de se saberem as notas dos exames, os sinais que passam é de que tudo ainda pode acontecer, incluindo mais um adiamento na publicação das notas. Mas mesmo que as pautas venham a ser publicadas, é evidente que os alunos e os pais não confiam na forma como se chegou até aqui, e suspeitam da fiabilidade das notas. De uma natureza totalmente diferente, as sucessivas entrevistas de Luís Neves sobre a contratação de um empreiteiro que coleciona falências para as suas obras particulares quando era diretor nacional da PJ só serviram para aumentar a desconfiança em relação a um ministro que aparecia já com um à vontade politico que soava até a pesporrência. Em ambos os casos, ressalta uma pergunta: Houve alguma coordenação política da intervenção pública de Fernando........
