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Mau fundo

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29.06.2026

A criação de um fundo soberano em Portugal não é, em tese, uma decisão ruim ou ruinosa, mas entre a teoria e prática há um Atlântico de problemas: falta de excedentes orçamentais para fornecer dinheiro, dívida pública ainda elevada e um lamentável histórico de governação de empresas públicas onde o interesse público tem acabado demasiadas vezes assassinado por interesses particulares, aditivados por agendas partidárias retorcidas.

Numa frase: Portugal não tem dinheiro nem cultura democrática ou sequer de gestão (governança) para criar um fundo deste calibre — o risco seria tremendo, viveríamos uma espécie de Sócrates 2.0 em potencial destrutivo, um poderoso bumerangue capaz de atingir fatalmente o país de um momento para o outro.

Dizia eu: um fundo soberano é, em princípio, um veículo para transformar excedentes orçamentais ou receitas extraordinárias (petróleo, gás, minérios…) em património financeiro duradouro para o futuro. Países como a Noruega, Singapura, Dubai ou Abu Dhabi usam-nos para diversificar riqueza e criar uma almofada........

© Sapo