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Vício em jogo não é entretenimento

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21.09.2026

O território digital criou um portal permanente de troca energética, no qual algoritmos e celulares possuem um mapa apurado de nossas vulnerabilidades psicológicas e até biológicas. Nessa encruzilhada, a proliferação descontrolada das plataformas de apostas — as chamadas bets — deixa de ser mero entretenimento e se revela um problema central de saúde pública e de espoliação econômica.

O vício em jogos ganhou um potencializador poderoso com a tecnologia. As plataformas são desenhadas para a perda sistêmica, usando notificações e recompensas variáveis como gatilhos calculados para prender a mente num ciclo contínuo de dopamina e frustração. Quando o valor do aluguel, da escola ou da alimentação é dragado para a nuvem de uma empresa em paraíso fiscal, não se trata de uma escolha livre, mas de uma patologia induzida por uma indústria que lucra com o colapso financeiro das famílias. Reconhecido pela OMS, o transtorno do jogo afeta diretamente a renda popular.

Esse cenário de descalabro não surgiu por acaso, mas encontrou terreno fértil durante o governo Bolsonaro, que acelerou........

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