Trump diante do espelho persa: os limites do poder americano
A escalada entre EUA, Israel e Irã revela limites da capacidade americana de converter supremacia militar em controle político em sistema internacional fragmentado.
Desde que os EUA abandonaram o acordo nuclear iraniano em 2018, a política de sanções não provocou colapso institucional; Irã expandiu capacidades nucleares e adotou guerra híbrida.
A estratégia iraniana combina aliados regionais, drones, mísseis e risco energético, usando que cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz.
Especialistas apontam que Trump subestimou a resiliência iraniana, o sistema internacional multipolar e o custo doméstico de conflitos prolongados para os EUA.
Certos conflitos decorrem de equívocos táticos; outros expõem deslocamentos estruturais no sistema internacional. A atual escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã pertence a esta segunda categoria. O que se apresentou como demonstração de força destinada a restaurar a dissuasão tornou-se um teste da capacidade americana de converter supremacia militar em controle político num cenário global que já não reage de forma automática à sua liderança.
Desde a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear firmado em 2015 — o Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA) — decisão tomada pela administração Trump em 2018, a política de “máxima pressão” impôs ao Irã o regime de sanções mais severo da história recente. Segundo dados do Departamento do Tesouro dos EUA, milhares de indivíduos e entidades iranianas foram alvo de restrições financeiras. Ainda assim, o resultado não foi colapso institucional.
Pelo contrário. Relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica indicaram expansão gradual das capacidades nucleares........
