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O golpe da extrema direita – se ganhar ou se perder a eleição

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09.09.2026

Publicamos nesta terça-feira, 8, o artigo “Derrotar, eleger, libertar, anistiar, entregar”. Os cinco verbos resumem o projeto da extrema direita bolsonarista e da ultradireita global: derrotar Lula, eleger Flávio, libertar Jair, anistiar os golpistas e entregar a Trump e Rubio as decisões estratégicas do Brasil. 

Mas faltava um verbo: desmontar. 

Desmontar as instituições capazes de impedir os outros cinco: desmoralizar o Supremo, intimidar a PF, desacreditar a Justiça Eleitoral, retirar legitimidade de uma possível vitória de Lula e destruir a democracia por dentro. 

Esse sexto verbo mudou o foco. O afastamento da cúpula da PF não é apenas outro episódio da guerra entre Mendonça e Moraes. Reproduz o método da ultradireita global: conquistar os árbitros, usar a “legalidade” contra a democracia e aceitar eleições somente enquanto possam ser vencidas ou deslegitimadas. 

Na terça-feira, 8 de setembro, André Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, a menos de um mês do primeiro turno da eleição presidencial. A guerra entre ministros chegou ao comando da principal polícia do país. 

É o golpe em andamento? 

Como democracias morrem 

O golpe tentado por Jair Bolsonaro antes, durante e depois da derrota de 2022 era reconhecível: generais, acampamentos, ataques às urnas, uma minuta golpista e um plano para assassinar Lula, Geraldo Alckmin e Moraes. 

Fracassou. Bolsonaro e os principais integrantes da organização criminosa foram condenados. Mas os golpes contemporâneos nem sempre chegam aos palácios dentro de tanques. 

Steven Levitsky e Daniel Ziblatt mostram, em “Como as democracias morrem”, que a ruptura contemporânea costuma ser executada por governantes eleitos. Eles não rasgam a Constituição: alteram sua interpretação e transformam medidas legais em armas contra a democracia. 

Tribunais, Ministério Público e Polícia Federal são os árbitros. Enquanto independentes, limitam e punem quem governa. Por isso, o aspirante a autocrata procura capturá-los, intimidá-los ou desacreditá-los. 

O Congresso não precisa ser fechado; pode ser dominado. O Supremo não precisa ser extinto; pode ser capturado. A Polícia Federal não precisa ser dissolvida; pode ser intimidada. A eleição não precisa ser cancelada; basta desacreditar o resultado ou impedir que o vencedor governe. 

Levitsky e Ziblatt destacam também duas regras não escritas sem as quais a democracia não sobrevive: a tolerância mútua e a contenção institucional. A primeira exige reconhecer o adversário como legítimo, e não como inimigo a ser eliminado. A segunda impede que autoridades utilizem até o limite — e contra o espírito da Constituição — todos os poderes que a lei formalmente lhes oferece. 

É exatamente nesse espaço entre o que a lei permite e o que a democracia suporta que atuam os novos........

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