menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

“Não debate” favorece Flávio, o candidato que não tem proposta

27 0
20.10.2026

Neste ano, tivemos o processo eleitoral mais despolitizado da chamada “Nova República”. A agenda pública não foi dominada por propostas plausíveis sobre saúde, educação, transporte, moradia ou mesmo segurança pública. Em vez disso, prevaleceram distracionismos, como a padroeira do Brasil e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Por um lado, isso revela como a lógica das redes sociais rebaixa aquilo que Habermas um dia idealizou como esfera pública. Atualmente, o corte que viraliza é mais eficiente do que um bom argumento, o que se reflete no sucesso eleitoral de influenciadores digitais e youtubers, dos mais variados espectros ideológicos.

Por outro lado, essa despolitização foi tacitamente incentivada pela grande mídia, pois favorece aos candidatos da direita e, principalmente, da extrema direita, que não possuem qualquer tipo de projeto de país, exceto o desejo de que o Brasil se transforme em colônia dos Estados Unidos.

Diante dessa realidade, era esperado (ou não!) que o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, organizado pela Band no domingo (18), pudesse, enfim, ser marcado pela divulgação de projetos de país dos dois candidatos. O que se viu, porém, foi mais do mesmo: o predomínio de xingamentos.

Parafraseando o antropólogo francês Marc Augé, o que presenciamos foi um “não debate”: um espaço........

© Revista Fórum