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O futebol é o universo da aceitação da intolerância

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Vinícius Júnior foi alvo de racismo por Prestianni, jogador do Benfica, durante partida da Champions League em Lisboa.

O técnico do Benfica, José Mourinho, culpou a comemoração de Vini Jr. pela hostilidade, ecoando críticas online ao jogador.

Vini Jr. sofreu ataques racistas e recebeu garrafadas durante o jogo, com repercussão negativa em mídias sociais e sites de notícias.

Mais um caso de racismo envolvendo como alvo o jogador brasileiro Vinícius Júnior do Real Madrid, em partida pela Champions League 2026 contra o Benfica, em Lisboa, realizada na terça-feira (17/02).

Pela enésima vez o jogador brasileiro é alvo de ofensas racistas por um jogador adversário, no caso o jogador argentino Prestianni do Benfica, de 20 anos de idade.

Vini Jr. tem sido atacado sistematicamente em campo por colegas de trabalho e por torcidas adversárias. O problema é que ele ousa não só pelo seu futebol de raríssima qualidade, mas também no enfrentamento a uma cultura de naturalização do intolerável.

Para quem frequenta um estádio de futebol é comum cânticos homofóbicos, racistas e de humilhação para com o adversário. É um exercício de violência verbal contínua que molda o torcedor.

As declarações do treinador do Benfica, o renomado José Mourinho, após o episódio, apesar de serem cuidadosas, mostraram mais uma vez a tentativa de revitimização de Vini. Mourinho disse que o clima hostil no estádio da Luz se exacerbou pela comemoração do jogador brasileiro que dançou diante da torcida do Benfica. A mesma coisa acontece nas mídias sociais com comentários culpando o jogador pela confusão.

Ainda na partida, a cada escanteio que ia bater, Vini ganhou garrafadas.

Se você acessar sites argentinos de noticiário sobre o futebol, por exemplo, vai verificar ataques contra o craque do Real Madrid é majoritário, assim como nas páginas relacionadas aos torcedores do Benfica, da mesma forma aqui em páginas brasileiras, por incrível que pareça.

Mas como podemos acreditar que a FIFA, entidade maior do futebol, que diz querer acabar com a intolerância no meio do esporte mais popular do mundo, com a promoção de campanhas contra o racismo, quando através de seu presidente e dirigente máximo, o italiano Gianni Infantino defende que Donald Trump, presidente dos EUA, um racista declarado, que defende extermínio de palestinos, aplicando uma política supremacista contra imigrantes latinos, e chamando publicamente de macacos um ex-presidente de seu país e sua primeira dama, respectivamente, Barack Obama e sua esposa Michelle Obama, defende que Trump receba um prêmio Nobel da Paz?

Vini Jr. parece lutar sozinho em meio a um universo de hipocrisia que só enxerga torcedores e jogadores como ativos de mercado, tratados como escravos e idiotas por um sistema que tenta se adequar às repercussões negativas.


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