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O hospital cinzento

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04.06.2026

Os logótipos parecem todos iguais. As marcas de luxo desistiram do seu estilo, das ornamentações, daquilo que as tornava reconhecíveis a três metros de distância. Ficaram com o mesmo tipo de letra geométrico, lavado, simétrico. Os carros, vistos de longe, são quase indistinguíveis. Os telemóveis são todos retângulos pretos com cantos arredondados e câmaras alinhadas, e os ícones das aplicações que os preenchem são também quadrados arredondados, com gradientes pastel, indistintos uns dos outros. Nos supermercados, as embalagens repetem-se: fundo claro, tipografia despojada, qualquer coisa de artesanal mas não a sério. As miniaturas dos vídeos do YouTube têm a mesma cara de espanto, a mesma seta vermelha, o mesmo enquadramento. O mundo perdeu textura.

Há quem lhe chame blanding, contracção de bland e branding, e há um nome para a regra que o produz: a otimização para a média. Quando se testa, mede e itera tudo até encontrar o que agrada ao maior número de pessoas, o que sobra é o denominador comum. Os atributos distintivos morrem primeiro, porque dividem opiniões. Sobra o seguro, sobra o cinzento. Esta lógica não fica nas montras nem nas demonstrações.........

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