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A cunha, essa instituição

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Vai um pé de vento por causa das exéquias de umas cunhas alegadamente metidas a um ex-secretário de Estado a favor de pessoas que vinham “bem recomendadas” – uma, alegadamente (a insistência no “alegadamente” não é por acaso ou por distração), com bênção institucional irrecusável, duas por lealdade partidária, uma última (que se saiba) por ter partido de uma figura pública com elevada sensibilidade humanista e a linhagem certa.

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De resto, grassa o oportunismo: dos populistas que segregam ódio contra uma casta que esteve muito tempo no poder, tudo servindo para derramar sangue em público; do lado contrário, por reflexo condicionado (há que combater a extrema-direita, nem que seja preciso a militância de um paradoxo), faz-se a defesa de honra de um ex-secretário de Estado invocando um argumento à la Luís Neves: há cunhas que se metem por comiseração (todas as cunhas mencionadas estavam relacionadas com hospitais ou a saúde de pessoas); um módico de decência justifica-se por exigências de humanidade. As cunhas consequentes condenam a ética republicana ao esquecimento. Há circunstâncias (o apelo à humanidade e à compaixão) que justificam a cunha.

Foi Ana Sá Lopes quem o defendeu, num artigo de opinião no PÚBLICO,........

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