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Ser-se estúpido para ter likes e pôr o pão na mesa

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28.10.2026

Há uma fórmula extraordinariamente eficaz para prosperar nas redes sociais: abdicar ostensivamente da inteligência e aguardar que o algoritmo faça o resto. Acumulam-se seguidores, multiplicam-se likes e, mais cedo ou mais tarde, aparece um patrocínio, tão aleatório quanto generoso, disposto a sorrir perante a xenofobia, o machismo ou qualquer outra manifestação de pobreza de espírito que assegure audiências. E vai daí, nunca o desespero para se viver das redes sociais foi tão grande.

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É por isso impressionante a facilidade com que alguns seres humanos se dispõem a estupidificar-se diante de um ecrã, desde que a recompensa seja suficientemente vistosa. A intimidade transforma-se num espetáculo de gosto duvidoso, os corpos femininos tornam-se matéria-prima de anedotas grosseiras e a vida familiar converte-se num interminável exercício de exposição pública. Há quem continue a encontrar extraordinária graça na ideia de que uma mulher existe, antes de mais, para satisfazer as conveniências masculinas, incluindo as de natureza sexual. Humor ou uma fórmula pobre de agitar o fosso das redes sociais e daí retirar dividendos?

Depois chega a indignação pública. E, com ela, o segundo ato desta comédia: a incompreensão ofendida de quem protagoniza semelhantes exibições. Afinal, o que querem as feministas? Já não se pode brincar? Era só uma piada, uma inocente brincadeira. Seguem-se a vitimização, a denúncia de uma alegada perseguição e a velha acusação dirigida a quem se atreve a questionar o conteúdo: esta gente perdeu o sentido de humor, não respeita as escolhas dos outros e pretende agora fiscalizar aquilo que se........

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