As listas de espera invisíveis da cardiologia
Os dados recentemente divulgados pela Entidade Reguladora da Saúde justificam uma reflexão séria sobre a resposta cardiovascular no Serviço Nacional de Saúde. Segundo o relatório, a atividade cirúrgica cardíaca diminuiu 4,9%, os tempos de espera mantêm-se elevados e 86,4% das primeiras consultas de cardiologia ultrapassaram os tempos máximos de resposta garantidos. São números preocupantes, que exigem resposta. Mas, para os interpretar corretamente, é preciso ter em conta uma realidade que raramente entra no debate público: hoje, uma parte muito significativa dos tratamentos cardiovasculares já não passa pela cirurgia convencional.
Ao longo das últimas décadas, a cardiologia de intervenção transformou profundamente o tratamento da doença cardiovascular. Muitas patologias que antes implicavam cirurgia cardíaca aberta são hoje tratadas por cateterismo, através de procedimentos menos invasivos, associados a internamentos mais curtos e a recuperações mais rápidas. É o caso da angioplastia coronária no tratamento da doença coronária, mas também da reparação ou substituição transcateter de válvulas cardíacas.
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