Ninguém escolhe ter cancro, senhores deputados — sejam humanos!
Estive doente cerca de três anos. Sempre que possível, interrompia as baixas médicas para trabalhar, o que, a nível burocrático, gerava confusão para a minha entidade patronal. Ou assim pensava eu. Como fazia ciclos de quimioterapia de cerca de oito dias, com internamento associado, e precisava de aproximadamente uma semana para recuperar, voltava a trabalhar na semana seguinte. Ou seja, 15 dias de baixa, uma semana a trabalhar. Este ciclo repetiu-se diversas vezes, pois, no total — entre o cancro original e duas recidivas —, realizei 13 ciclos de quimioterapia. São muitos dias. Muitas ausências do trabalho. E também muitas baixas interrompidas.
E interrompia a baixa porquê, se estava doente?
Porque quem lida com uma doença (cancro ou outra) que o impossibilita de trabalhar, sobretudo por períodos prolongados, como sucede habitualmente no caso do cancro, acaba, mais tarde ou........
