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Aspirações sem saída: quem é que realmente emigra?

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Ao longo da costa norte da ilha de São Miguel, nos Açores, toneladas de cocaína deram à costa como se de um milagre de peixe se tratasse. Onde uns viram um desastre, outros viram uma oportunidade. Rabo de Peixe, a série, sublinho, faz-me pensar em como os projetos de vida se formam continuamente a partir de um conjunto de circunstâncias, experiências e perceções.

Como investigadora na área da migração, a formação das aspirações é a questão que intriga e ocupa diariamente a minha mente. Ora, numa conjuntura em que a pobreza se destaca e o sonho americano é um continuum intergeracional que trará riqueza e oportunidade às vidas de quem apenas leu o que poderá ser seu, aquando de um milagre que se sucede, justificações divinas dão lugar a um desejo que deixa de ter limites para se tornar alcançável.

O paradoxo da pobreza é uma realidade mais do que verificada pelos estudos migratórios, em que, apesar do desejo ou, se queremos ser teóricos, da aspiração a migrar ser amplamente e grandemente pretendida, as capacidades para concretizar tal aspiração são........

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