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O médico do trabalho não está sozinho

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16.09.2026

Pensemos na Isabel, de 54 anos, que cose sapatos numa fábrica de calçado há 27. Chega ao gabinete do médico do trabalho com uma pasta de plástico debaixo do braço. Lá dentro traz a ecografia do ombro que a médica de família lhe pediu, um relatório de fisiatria e a caixa vazia do anti-inflamatório que lhe tem acudido, para não se enganar no nome. Já sabe que, naquela consulta, o médico não consegue aceder pelo computador ao que ficou registado no centro de saúde e no hospital. A pasta custou-lhe uma manhã de folga: pediu a cópia do relatório no balcão do centro de saúde, a clínica da ecografia disse-lhe que o resultado seguia por email. Mas a Isabel não tem email. Foi o filho que lho imprimiu.

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O médico, chamemos-lhe João, ouve-a, examina-lhe o ombro e folheia os relatórios. Tenta perceber o que já foi investigado, o que melhorou com o tratamento e o que continua a custar-lhe quando trabalha. A Isabel conta o que sabe. Lembra-se de parte do que lhe disseram, mas há um exame que ficou em casa e uma consulta de que não trouxe relatório. "A doutora disse-me o nome daquilo, mas eu agora não sei dizer, senhor doutor." O João escreve o que ela se lembra, com as........

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