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A reconfiguração do sistema político português

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03.02.2026

1. Nos inícios da minha atividade política, recordo-me perfeitamente de lamentar não vivermos, então, períodos quentes e entusiasmantes de indefinição ideológica, em que as pessoas em vez de irem a comícios onde todos já estão convencidos, apenas para fazer número, iam a sessões de esclarecimento para efetivamente se esclarecerem. Tempos de debate e descoberta como os que se viveram sensivelmente até 1985, altura em que Cavaco Silva tomou em mãos o país e o transformou social e economicamente naquele país em que alguns, como eu, se reveem e de que têm orgulho, apesar do tanto que falta fazer. Era o preço do sucesso: paz social, quietude política. Pouco havia a definir e de relevante por que lutar, acantonávamo-nos nas agremiações partidárias em que nos sentíssemos mais bem enquadrados e aí lutávamos pelos nossos projetos e convicções.

A partir das presidenciais de 1986 a sociedade dividiu-se mais marcadamente entre esquerda e direita, divisão que se manteve e extremou trinta anos depois com a união das esquerdas de 2015 que ficou cunhada para a História como “a geringonça”. Então, o PS quebrou a sua própria linha vermelha, permitindo constituir um governo apoiado por PCP e BE à revelia do resultado expresso nas urnas, na qual o povo havia dado uma vitória com grande significado político a Pedro Passos Coelho, por vir na sequência de anos de dificuldades e contração económica severa.

Toda aquela dicotomia com que nos habituámos a ver a política e a sociedade começa a mudar com o surgimento do Chega e consolida-se agora, de modo claro, nas eleições presidenciais de 2026.

2. Sem querer recordar debates antigos no seio do PSD, é impossível não recordar o debate entre os que procuravam recentrar o PSD e os que consideravam que o partido devia........

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