Um ano de Via Verde: a promessa existe, a escala ainda não
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Pergunte a qualquer dono de uma empresa de construção, a um agricultor do Alentejo ou ao responsável de um hotel no interior de Portugal e a resposta será a mesma: faltam trabalhadores. Não desde ontem, não por causa de uma crise conjuntural. Falta há anos, de forma estrutural, e o país foi adiando a resposta enquanto a emigração de portugueses não parava e a demografia não ajudava.
O que sobrou foi uma dependência crescente de trabalhadores vindos de fora, além de um sistema de vistos e autorizações que esteve durante anos à beira do colapso: processos parados por meses, agendamentos consulares com esperas de mais de um ano, pedidos extraviados numa burocracia que não se comunicava consigo própria. Para os empresários, era uma forma de loucura administrativa: o país precisava de mão de obra, havia pessoas dispostas a se mudar para o país para trabalhar, e o Estado não conseguia processar esse encontro.
É neste contexto que, há um ano, o Governo assinou o chamado Protocolo de Cooperação para a Migração Laboral Regulada, rapidamente batizado de "Via Verde" pela imprensa e pelo mundo empresarial. O protocolo reuniu quatro entidades públicas, entre as quais a AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) e os serviços consulares, e cinco grandes confederações empresariais, da agricultura ao turismo, passando pela construção.
A promessa era clara: um corredor mais rápido, mais organizado, com prazos definidos para cada entidade pública envolvida, e com responsabilidades partilhadas entre o Estado e as empresas que recrutam. Se tudo corresse como previsto, o processo de obtenção de........
