Sair da ilha para ver a ilha
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Há poucos dias chegou até mim um vídeo que tinha sido encaminhado a uma parente no Brasil. Nele, uma mulher dizia que os brasileiros que vivem fora e declaram apoio ao candidato da esquerda, ou que simplesmente votam nele, deveriam voltar. Votar assim, de longe, seria fácil. Se o país vai tão bem, que façam as malas.
Conheço bem esse argumento. Ele reaparece toda vez que alguém que mora fora diz em público em quem vai votar. Quero dizer logo que não escrevo para defender candidato nem partido. Escrevo porque me incomoda ver confundidas coisas que deveriam estar claras, como cidadania, pertencimento e direito.
Comecemos pelo básico. Todo brasileiro que vive no exterior tem direito a votar, e muitos países garantem o mesmo aos seus emigrantes. Isso, por si só, deveria encerrar a conversa. Acontece que, no nosso caso, há mais. Nas eleições para presidente, o voto de quem mora fora continua obrigatório, exatamente como para quem mora no Brasil. Mandar o eleitor de fora “voltar para votar” é, no fundo, pedir que ele deixe de cumprir uma obrigação legal.
Há outra questão,........
