O país onde cumprir o dever já é extraordinário
Luís Neves tentou responder às dúvidas que o envolvem apresentando o seu currículo. Invocou três décadas de serviço público, o combate ao crime e o trabalho prestado ao Estado. Tudo isso pode ser verdadeiro e meritório. Mas responde à pergunta errada.
Não está em causa saber se teve uma carreira respeitável. Está em causa saber se as decisões que tomou e a forma como as justifica são compatíveis com o cargo que ocupa. Ter cumprido bem uma função pública não concede imunidade política.
A própria defesa revela muito sobre o país. Em Portugal, a competência média na Administração Pública tornou-se tão rara aos olhos dos cidadãos que o cumprimento do dever é apresentado como extraordinário. Fazer o trabalho para o qual se foi nomeado e remunerado transforma-se num crédito moral capaz de compensar erros e omissões.
A fasquia está demasiado baixa.
Numa empresa, um administrador competente não recebe um salvo-conduto para misturar relações pessoais com fornecedores, desconhecer........
