Integrar ou desintegrar: mais serviços, menos saúde
A discussão recente sobre a eventual criação de mais um centro de cirurgia cardiotorácica no Porto, a menos de 10 quilómetros de duas unidades altamente diferenciadas e reconhecidas no país e no estrangeiro pela sua qualidade assistencial, é um espelho nítido do desafio estrutural da saúde em Portugal: confundimos desenvolvimento com acumulação de tarefas e integração com concentração administrativa.
Portugal é um país pequeno na geografia e na população, e, consequentemente, no número de doentes que requer cuidados altamente especializados e na distância em que os obtêm a partir da sua residência. Em áreas como a cirurgia cardiotorácica, onde a diferenciação técnica, a experiência acumulada e o volume crítico de procedimentos são fatores decisivos para qualidade e segurança, multiplicar centros não significa melhor acesso. Significa dispersão de recursos, perda de escala, duplicação de investimentos e, demasiadas vezes, piores resultados clínicos.
E aqui Portugal revela outra pequenez: a falta de visão. Não precisamos de mais edifícios. Precisamos de mais rede.
A evidência internacional é clara: sistemas de saúde eficientes constroem-se sobre coordenação, continuidade e integração. Estes princípios vão muito além da proximidade física entre unidades ou da fusão de conselhos de administração. Traduzem-se em reforçar os centros........
