Os Homens não se medem aos parvos
Dirk Peglow, presidente da Associação Alemã de Investigadores Criminais, sugeriu na TV que as mulheres deviam “evitar relacionar-se com os homens”. Não que postule a misandria, o amor sáfico ou extinção da espécie: foi um alerta para o aumento da violência doméstica. Que, aliás, não aumenta: o que aumenta são a consciência e a providencial denúncia da violência. O que, se faz com que diminua, gera a ilusão catastrofista (o chamado “efeito nocebo”).
Lançada há um ano, “Adolescência” é a série de maior audiência na história da Netflix. Trata da “manosfera”, subcultura virtual masculina que fomenta machismo e “incels” (celibatários involuntários, gajos sem sorte com as gajas). Jamie, 13 anos, mata a colega Katie, depois que ela ri online da virgindade dele.
Bem, até ontem aceitávamos a ideia de que todo pimpolho de 13 anos fosse… mais ou menos incel, e não um Casanova. Não mais: hoje somos todos incitados a professar uma concupiscência dionisíaca (ainda que da treta). Na entrevista com uma psiquiatra, Jamie jorra bravata libertina fake por todos os poros, com mais olhos que barriga. O drama acontece depois que uma foto íntima de Katie (nude) circula na escola, enviada pela própria rapariga.
É uma das anomalias da contemporaneidade: a adolescência dura cada vez mais (no mínimo, até os 40 anos) – e a infância cada vez menos. Em que mundo uma miudinha distribui nudes como smarties? No reino da sex positivity, a sexualização é cada vez mais prematura, pois o empoderamento feminino exige a mesma promiscuidade dos marmanjos (que agradecem o jeitinho e lambem os beiços).
No fim de “Adolescência”, o pai de Jamie recorda como o seu pai era bruto, o que o fez prometer nunca bater nos filhos. E aprender o autocontrolo. Mas a combinação de contextos que retardam um desenvolvimento normal do cérebro e uma educação laxista, que entroniza o tlm em baby-sitter, impinge a noção de que todos os desejos podem e devem ser saciados imediatamente, sejam quais forem.
O mentecapto influencer Andrew Tate é citado na série. O axioma dele adultera a regra do economista italiano Wilfredo Pareto dos “80 por 20”: 80% das mulheres são atraídas por só 20% dos homens. Já este ano, também na Netflix, estreou-se o documentário “Inside the Manosphere”, de Louis Theroux, que entrevista totós “especializados” em converter cromos em carismáticos príncipes renascentistas – fortuna, sexo, status. É como diz um personagem do dramaturgo brasuca Nelson Rodrigues: “O dinheiro compra tudo – até amor verdadeiro”.
Esse vendedores de banha de cobra são tão caricatos que quase coramos por eles. Um certo Myron Gaines gaba-se de que podia ter um harém. Mas quando Theroux menciona esse projeto de “monogamia unilateral” à frente da namorada de Gaines, este fica mortificado e lívido. Os créditos informam que a namorada mandou-o bugiar.
Theroux descreve-se como “progressista” (um documentário dele brande a falácia de que os israelenses são “settlers colonialists”, escamoteando os 4000 anos da história judaica). Um entrevistado define marotamente o documentarista: “Ele é tão woke que a mulher dele obriga-o a fazer xixi sentado”. Theroux realça que muitos desses influencers, como os seus fãs, cresceram sem pais. Porém, acrescenta incoerentemente que “todas as estruturas familiares podem funcionar”. A sério?
A visão de que as crianças têm a mesma hipótese de prosperar como filhos de chocadeira é refutada por décadas de pesquisa: lares estáveis e com ambos os pais apresentam muito melhor desempenho em todos os casos. A manosfera é boçal. Mas não foi ela que criou a avidez que finge saciar.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, num frenesi de pânico........
