O legado dos Anjos para um humor sem ódio
Durante anos, uma parte do humor português viveu convencida de que possuía uma espécie de superioridade moral e intelectual sobre o resto do país. Atrás do rótulo confortável da “piada”, criou-se uma máquina de ataque permanente onde humilhar, ridicularizar e repetir o mesmo alvo até ao esgotamento passou a ser vendido como inteligência sofisticada. Quem fazia parte daquele circuito mediático ria-se entre amigos, protegia-se entre amigos e promovia-se entre amigos, sempre com a arrogância típica de quem acreditava nunca vir a ser questionado. O problema começou quando os portugueses perceberam que muitas vezes aquilo já não era humor — era apenas ódio socialmente aceite porque vinha embrulhado em sarcasmo e aplausos de estúdio.
O caso envolvendo os Anjos e Joana Marques veio partir essa bolha. E ainda bem.
Pela primeira vez em muitos anos, os humoristas perceberam que o público começou a distinguir humor de perseguição. Uma piada ocasional é uma coisa; transformar determinadas pessoas em saco de pancada diário é outra completamente diferente. Foi precisamente aí que muitos portugueses abriram os olhos. Não por falta de liberdade de........
