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Se não têm pão, que comam excedente

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14.04.2026

Existe algo de desconcertante em ver um ministro das Finanças com a experiência de Joaquim Miranda Sarmento a celebrar efusivamente o excedente de 0,7% registado em 2025 (“absolutamente histórico”) para, dias depois, assistirmos a Luís Montenegro a antecipar o quase inevitável regresso dos défices já este ano. As duas realidades não são necessariamente contraditórias — em teoria, é bom acumular excedentes orçamentais para responder aos momentos mais difíceis. Mas é no tom e no sentido de oportunidade das mensagens de um e de outro que se pode antecipar uma tensão difícil de resolver.

No passado, Joaquim Miranda Sarmento, que começou com Rui Rio por ser a sombra de Mário Centeno e continuou depois com Luís Montenegro, dizia essencialmente duas coisas: 1) apresentar superávites era praticamente uma obrigação; 2) e que não era “difícil pôr a economia portuguesa a crescer acima de 3%”. Anos volvidos, o risco do regresso aos défices é assumido por todos, e não se antecipa fácil (para dizer o mínimo) que o país venha a crescer “acima de 3%” nos........

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