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Como perder uma reforma em 289 dias

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26.05.2026

Há nove meses, Maria do Rosário Palma Ramalho apresentava-se ao grande público com estrondo. À boleia da sua proposta de reforma laboral, a ministra veio defender que era preciso disciplinar as mães que, espertas, andavam a aproveitar a licença de amamentação para abusar do generoso patrão e assim conseguir umas horas extra de descanso pagas à custa da empresa. Foi vê-la, aliás, a falar sobre a dieta dos rebentos e a dizer ter conhecimento de “muitas práticas em que as crianças parece que continuam a ser amamentadas para dar à trabalhadora um horário reduzido”.

Foi este o cartão de visita da reforma laboral, alegadamente uma das grandes apostas do II Governo de Luís Montenegro. E foram estas palavras que intoxicaram desde o primeiro dia o debate sobre um pacote que, tendo as suas insuficiências e as suas virtudes, merecia, pelo menos, uma oportunidade de ser discutido de forma séria e justa. Mas não. Uma ministra de um governo ultraminoritário decidiu que esta era mesmo a melhor forma de iniciar o diálogo.........

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