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O tabu de Mónica Ferro

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10.05.2026

Há uns dias, o Observador publicou uma entrevista com Mónica Ferro, a diretora do Fundo das Nações Unidas para a População. O tema da entrevista tornou-se recorrente. Não é para menos. Afinal de contas, tornou-se um dos maiores temas do nosso tempo.

Depois do pânico dos anos 70, em que se profetizou um mundo claustrofobicamente sobrepovoado, com a consequente miséria, violência e culpa por um excesso que reflectia um vício indefinível da civilização humana, o mundo desmentiu os falsos profetas. Hoje, a queda vertiginosa da taxa de fertilidade é um facto quase universal. Com a excepção da África subsaariana, e alguns, não muitos, países do Médio Oriente/Ásia (Iraque, Afeganistão, Paquistão), o resto do mundo precipitou-se para taxas de fertilidade muito afastadas dos mínimos que garantem a renovação das gerações.

Não foi só o facto de a Europa mediterrânica ter sido ultrapassada na corrida para o fundo da natalidade zero pela Europa do Leste e, mais significativamente, pela generalidade dos países do Extremo-Oriente (Japão, Coreia do Sul, Taiwan, China, Singapura, Vietname). Foram dois factos novos que abriram os olhos dos negligentes para uma crise sem precedentes nos últimos séculos. Em primeiro lugar, países que tradicionalmente protagonizavam os receios de um mundo com excedentes populacionais apocalípticos no futuro, como a Índia, Bangladesh ou Indonésia, ou, na América Latina, Brasil, Colômbia, México, ou, no Norte de África, Marrocos, Tunísia, passaram a registar taxas de fertilidade bem abaixo do nível de renovação de gerações. Em segundo lugar, as taxas de fertilidade, já em níveis muito baixos no final da segunda década do século XXI, caíram surpreendentemente após o período do COVID.

Perante uma crise desta magnitude, cujas causas e razões são objecto de infinitas........

© Observador