Mulheres a mais?
Quando foi a última vez, se é que houve alguma, em que tendo ido a uma Missa, havia mais homens1 que mulheres2 na igreja3? Provavelmente nunca, a não ser, possivelmente, caso a cerimónia tivesse tido lugar numa capela de uma ordem masculina. Nas igrejas do nosso país, na nave haverá em média duas mulheres para cada homem. No coro haverá três ou quatro por cada um. No altar, a representação masculina não infrequentemente é ainda menos densa: para além da presença sacramental4 de um senhor padre, geralmente acólitos, leitores, e distribuidores da sagrada comunhão são do belo5 sexo.
E se não for uma Missa, mas uma adoração do Santíssimo, uma recitação do terço, ou um grupo de oração, então o rácio torna-se ainda escandalosamente6 mais desigual. Deixado a nave da igreja e indo aos serviços paroquiais, quem se vê? Só senhoras. E quem está maioritariamente nas Conferências de S. Vicente de Paulo e nas outras organizações caridosas que recolhem e distribuem dinheiro e bens essenciais pelos pobres7? E quem ensina catequese?
Não só as mulheres dominam numericamente na Igreja, mas parece que também comandam quase todo o seu interesse e atenção. Assim há cartas apostólicas sobre a vocação das senhoras e grupos de estudo sinodais sobre a sua participação na liderança da Igreja. Mas será que há algum documento semelhante sobre os homens? Para quando estudos e declarações sobre a sua falta de participação e sobre o esvaziamento da liderança masculina não só nas paróquias, mas até nas chancelarias episcopais?
A Igreja Católica parece ser um exemplo, por excesso, do sucesso das iniciativas de inclusividade de género, uma organização verdadeiramente DEIsta. Mas será tanta inclusividade verdadeiramente equitativa8? Será que a graça divina, distribuída nos sacramentos, se destina só ao fraco9 sexo, e os cavalheiros estão (quase) todos destinados ao Inferno? Não parece que Nosso Senhor Jesus Cristo pretendesse que assim fosse. É verdade que está registrado nos Evangelhos o papel privilegiado das mulheres na co-laboração e testemunho no processo da nossa redenção, da Incarnação à Ressurreição (Luc 1, 26-38; Jo 20, 1-18). E é um facto que Nosso Senhor impôs o jugo do serviço, através do sacramento da ordem10, só a homens, enquanto abriu os privilégios da sua graça aos membros de ambos os sexos. Mas este tratamento desigual a favor do sexo feminino foi por Ele de algum modo compensado quando se rodeou e fez acompanhar nos seus caminhos por discípulos que eram na sua grande maioria homens.
A presente situação em que as mulheres dominam na recepção das benesses espirituais da Igreja, além de injusta, está, portanto, em contradição com a prática evangélica. Assim parece que urge regressar ao modelo da Igreja primitiva e restabelecer alguma........
