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Jason Arday e a esquerda

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21.08.2026

O a todos os títulos lamentável caso de Jason Arday, o cidadão britânico de origem africana que trepou rapidamente no mundo universitário apoiado num currículo e percurso de vida mais do que fantasiosos, e nas complacências e tolerâncias excessivas no seio das universidades no Reino Unido, é do domínio público. Quando foi questionado sobre as suas histórias inverosímeis e confrontado com acusações de plágio, demitiu-se do seu lugar na Universidade de Cambridge, vindo infelizmente a morrer pouco tempo depois. A sua história é sobejamente conhecida para me dispensar de a detalhar aqui. O que quero chamar a atenção é para a forma como muita gente de esquerda tem reagido ao caso, sobretudo depois da notícia da sua morte, porque essa forma revela um preocupante embotamento dos critérios morais e um desleixo ou relaxe face à verdade.

É claro que todas as pessoas bem formadas, de qualquer quadrante político que sejam, lamentaram a morte de Arday, o percurso trágico de sucessivas mentiras que o terá levado a esse triste e precoce fim, e a terrível visão da vida de uma pessoa a desmoronar-se como se fosse um castelo de cartas. Mas a gente de esquerda, se bem avalio o que vou lendo nas redes sociais e nos jornais ingleses, espanhóis, norte-americanos, franceses e portugueses, foi mais longe e fez de Arday uma vítima de um assassinato perpetrado por gente de direita. Dito de outra forma, a esquerda fez deste ex-professor da Universidade de Cambridge uma vítima de racismo, de anti-wokismo da extrema-direita e da inveja dos brancos perante o sucesso profissional e académico de um negro.

Isso também é visível aqui em Portugal ou em esferas culturais de língua portuguesa. Por todo o lado, as pessoas de esquerda, desde as mais moderadas às mais radicais, vieram sugerir ou afirmar que Arday tinha sido vítima de uma perseguição impiedosa e eventualmente, provavelmente ou garantidamente — aí a esquerda divide-se —, injusta ou infundada. Entre os negros de........

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