O Mar Vermelho não pode tornar-se um campo de morte
O que se segue não é um juízo sobre a causa política que os houthis invocam. É o enquadramento jurídico de dois conjuntos de factos, à luz do direito dos conflitos armados no mar: o ataque ao navio de carga Tihamah, em Agosto, incluindo a alegação de um segundo disparo sobre o salvamento; e o avanço noticiado, nesta segunda semana de Setembro, ao longo da costa iemenita do Mar Vermelho até às imediações do Bab el-Mandeb.
Em 11 de Agosto de 2026, o Tihamah, de bandeira tanzaniana e propriedade egípcia, foi atingido no Bab el-Mandeb, perto de Mokha. O Ministério dos Transportes iemenita declarou que o navio transportava géneros alimentares. Morreram quatro tripulantes — três paquistaneses e um indonésio — e outros ficaram feridos. A Guarda Costeira alegou que um segundo míssil atingiu a área durante as operações de salvamento, matando dois elementos da força de socorro. Os houthis assumiram o ataque e afirmaram que a embarcação transportava equipamento militar saudita. A propriedade, a carga e a selecção do alvo continuam contestadas nas fontes abertas.¹
Mesmo que a alegação sobre a carga viesse a ser confirmada, ela não justificaria um ataque dirigido contra pessoal civil de salvamento, náufragos ou embarcações empenhadas numa operação de socorro protegida. Um segundo disparo durante a recuperação das vítimas, se vier a ser provado, é o ponto que exige o escrutínio mais rigoroso.²
Não é um caso isolado. Em Julho de 2025, o graneleiro Eternity C, de bandeira liberiana e operado por uma empresa grega, foi atacado durante dois dias no sul do Mar Vermelho e afundou, depois de ter entregue ajuda em Berbera. Houve mortos; outros foram retirados da água; alguns foram dados como desaparecidos e mais tarde alegadamente mantidos sob custódia........
