Berlim e a rede que só apanha determinados peixes
Esta semana, o CDS apresentou na Assembleia Municipal de Lisboa um voto de pesar pelas vítimas do atentado de Berlim. O texto fazia aquilo que se espera de um documento desta natureza: descrevia os acontecimentos, exprimia solidariedade para com as vítimas e identificava a ameaça. Uma viatura foi deliberadamente lançada contra uma multidão junto do Christopher Street Day, seguindo-se ataques com arma branca. Morreu uma pessoa e ficaram feridas vinte e nove. O ministro alemão do Interior classificou o sucedido como um atentado terrorista islamista; o suspeito estava sinalizado pelas suas ligações ao Estado Islâmico.
Seria razoável supor que uma conversa pública sobre o atentado começasse assim. Não na medida em que uma descrição dos factos resolva os problemas, mas na medida em que nenhuma discussão pode começar sem ela. Primeiro aconteceu uma coisa; depois procuramos compreendê-la. Acontece que uma parte da nossa vida pública deixou de aceitar esta ordem. Quando a realidade não confirma a sua visão do mundo, a prioridade deixa de ser compreender a realidade e passa a ser proteger a sua visão do mundo.
Foi isso que sucedeu, há uns dias, num artigo publicado no Público. O texto começa por reconhecer que o atacante estava ligado ao Estado Islâmico, mas esse reconhecimento dura pouco. Muito rapidamente se desloca do homem que matou........
