A casa que o país não tem
Há um número que explica Portugal melhor do que qualquer discurso. No início do século, construíamos mais de cem mil casas por ano. Em 2025, construímos vinte e seis mil, e foi o melhor ano desde 2011. Entretanto, o país recebeu mais de um milhão de novos residentes, Lisboa e Porto tornaram-se destinos globais e as taxas de juro subiram e desceram. A procura mudou de escala. A oferta ficou parada. Tudo o resto é consequência.
As consequências conhecemo-las. As rendas sobem dez por cento ao ano, os preços das casas sobem dezassete, os salários sobem cinco. Bastava este dado para perceber a ansiedade e a desesperança de muitas famílias. Um jovem português sai de casa dos pais perto dos trinta anos, um europeu sai aos vinte e seis. Em Lisboa, comprar uma casa custa mais de dezoito anos de rendimento de uma família. O Estado tem dois por cento do parque habitacional, quando a média europeia é oito. E, ao mesmo tempo, há mais de setecentas mil casas vazias no país, cento e cinquenta mil só na região de Lisboa. Não falta espaço. Falta confiança, falta rapidez e falta Estado onde ele devia estar.
Convém dizer o que esta crise não........
